Para pairar e ler um pouco de tudo. Para se sentir que existe vida aqui. Fotografias tiradas de www.flickr.com
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sábado, 9 de janeiro de 2010

Menino Jesus

Apesar do atraso deste post, não resisto é vos mostrar esta belissima declamação de um poema de Fernando Pessoa pela Maria Bethania.



Está espectacular não está? Todo o carinho que ela põe em cada palavra faz-nos querer dar cada vez mais ao Menino!

Susana

sábado, 19 de dezembro de 2009

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas

Tratam do bacalhau,

Do perú, das rabanadas.

-- Não esqueças o colorau,

O azeite e o bolo-rei!

- Está bem, eu sei!

- E as garrafas de vinho?

- Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr'a ver

Que prendas vou ter.

Que prendas terei?

- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,

Esquecido, abandonado,

O Deus-Menino

Murmura baixinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família

À volta da mesa.

Não há sinal da cruz,

Nem oração ou reza.

Tilintam copos e talheres.

Crianças, homens e mulheres

Em eufórico ambiente.

Lá fora tão frio,

Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,

Ouve-se Jesus dorido:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,

Admiram-se as prendas,

Aumentam os barulhos

Com mais oferendas.

Amontoam-se sacos e papeis

Sem regras nem leis.

E Cristo Menino

A fazer beicinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.

Tantos restos por mesa e chão!

Cada um vai transportar

Bem-estar no coração.

A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal

E, do princípio ao fim,

Quem se lembrou de Mim?

Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito

E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!


(João Coelho dos Santos

in Lágrima do Mar - 1996)

O meu mais belo poema de Natal)

domingo, 4 de janeiro de 2009

Lisboa


Fado, meu fado,
eterno morador de Alfama,
infinito amante alfacinha,
que passas pela calçada lisboeta,
que nasces de cada voz lusitana,
que corres por esta alma só minha.

Queria eu guardar-te,
só para mim,
como se obra de arte fosses.
Não vi que isso impossível seria,
e, assim, perdi-te por tanto te querer.

Hoje, espalhado pelo Mundo estás,
mas vives sempre em casa Lisboeta.
Porque por mais que o Mundo te transforme,
A essência de ti, meu Fado, nasce nestas ruas de Alfama.
"Onde chora a madrogada",
Onde a tradição ainda te proclama.

E continuas no meio de todos nós,
correndo a nossa calçada,
nascendo das nossas vozes lusitanas,
sendo o eterno amante
dos bares e casinhas tradicionais alfacinhas.

Continuo em busca de ti em mim.
Encontro-te e perco-te.
Porque Fado são momentos que,
acima de duradouros, se tornam intensos
e, por isso, inesquecíveis.






Fotografias tiradas do Flickr

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"O que vier à cabeça!"

Estava eu a ver poemas de algum tempo quando vejo um poema diferente: o único poema que fiz a dois com o, na altura meu melhor amigo, João Luís. Aqui fica para recordar velhos momentos, para matar saudades. ah.. já agora, o poema chama-se "O que vier à cabeça" e é de 2006 (!)


Aquilo que vier a cabeça,
é toda a mente e sua destreza,
tudo o que nela está presa
tudo o que nela se quer soltar..

Um dia,
conseguirei libertar a mente,
conseguirei dizer algo que se sente, bem no fundo, sem vergonha
poderei ser eu mesmo sem medo, sem estar preso..

O intrínseco não está mais do que imundo de verdade,
é puro e com continuidade,
quando vês algo que fica,
não te percas, bate o pé e certifica-te!

Sempre atento ao momento em que te podes exprimir,
sempre potente o momento em que não estás só a reflectir,
mas também a sentir aquilo que dizes,
a dizer aquilo que fazes,
a fazer aquilo que reflectes!

Não te deixes abater pelo medo de sofrer,
pelo medo de exprimir o mais intimo grito de amor e sofrimento,
o mais potente grito de louvor e sentimento!
É preciso! É resultado de viver!

Perde-te na sabedoria!
declara a vida com humildade,
vive-a com sanidade,
Mostra-o à comunidade!

Não penses que não vale a pena,
Não penses que é motivo de troça ou de risota,
Pensa que é alivio para os que te rodeiam,
por saberem que também sabes sentir,
por saberem que também sabes exprimir,
por saberem que também sabes viver!

Pensa na vida como olhar o mar bem do alto, de pé,
faz da vida rotina! dá uma cambalhota!
não te fiques pela insonsa fé,
mostra que realmente assim o é!

Perder o fio aos sentimentos,
enrolá-los como um novelo,
faz parte da vida!

Tens de saber alinhavar os mais desarrumados novelos,
tens de saber dar a volta aos mais encalhados,
aos mais pequenos, aos mais importantes,
aos mais desgrenhados!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em todo o lado

O fado está em todo lado,
num jantar,
numa rua,
na minha alma,
na tua,
em cada mais pequeno momento.

Porque o fado comanda a vida,
e a vida sem fado é perdida,
de sentido de se ser português.

Ouvir fado é como falar ao coração,
bater no fundo da razão,
deitar para fora tudo sentido.
Porque a vida é um fado constante,
e todos nós temos algum preferido.

Somos aquilo que o fado canta,
umas vezes alegremente, outras vezes chorando..
Mas poderemos sempre mudar a música que ouvimos,
podemos sempre mudar o fado que melodiamos,
e outro rumo tomará a nossa vida,
e outra vida caminharemos.

E por isso,
não consigo deixar de ouvir o fado,
porque sei que com ele caminharei sempre para outro lado,
porque sei que caminharei sempre para algo melhor.
porque sei que ouvir fado é ser-se português.






já não escrevo mesmo há muito tempo, meses.. mas assim do nada, quando ia a por um video de um fadinho, vieram-me os primeiros versos à cabeça.. e assim começou :) é mesmo bom ter inspiração e desta vez foi inspirado neste video que hoje ouvi:

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sonho Lusitano

(Ao ler alguns poemas meus, no meu caderno de "desabafos", não resisti em pôr este aqui)

"Cavalo da montanha,
Da montanh ao monge,
Cavalo de chama,
Cavaleiro Monge"

"Não sabes que o sonho
é o que comanda a vida?"
Aquela vida perdida,
Aquele espelho estelhaçado no tempo?

Pois "em verdade te digo"
Tu és mais que um simples Cavaleiro perdido,
Tu és o Sonho Renascido de um tempo de naus e barcas.
Tu és o sonho de um Povo,
Tu és a garra de um Rei,
Tu és a ilusão de uma vitória
Tu és o mito e crença imprópria de uma vida.

Deixa-te levar pela ilusão,
Pelo sonho,
Não só pela razão,
Pois "o mito é o nada que é tudo",
E sem a coragem de uma Loucura,
Não somos homens,
Somos coisa nenhuma!

Susana

domingo, 20 de abril de 2008

Thomas Wilson

Acima de tudo, ela deu-me algo por que viver!
Os seus braços são capazes
de afastar qualquer cuidado;
as suas palavras são o meu consolo
e inspiração...
E tudo isso,
porque o amor que ela me tem
é a minha vida.